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segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Black Monk Time | The Monks (1966)



The Monks é uma banda de garagem formada por soldados americanos que estavam servindo na Alemanha em meados dos anos 60. Se apresentavam vestidos de monges e seus cabelos eram cortados à moda franciscana. Inquietos em testar novos timbres e instrumentos, no início faziam covers de Chuck Berry e de bandas britânicas. Até que resolveram experimentar musicalmente. O vocalista e guitarrista Gary Burger disse que:

          "Levou provavelmente um ano para que conseguíssemos o som certo. Nós experimentávamos o tempo todo. Muitos experimentos foram um fracasso total e algumas das músicas em que trabalhávamos eram péssimas. Mas aquelas que mantivemos pareciam ter algo de especial. E elas se tornaram mais definidas com o tempo".

O grupo não fez muito sucesso nos Estados Unidos. Nos anos 90, os integrantes se reuniram para alguns shows, mas não lançaram material novo.


O livro diz que:
Gravado no final de 1965, Black Monk Time é um sério concorrente ao título de "primeiro álbum punk", e, por mais vazia e fútil que essa distinção pareça (afinal, o punk era um movimento contracultural mal-humorado e com um modelo típico, e esses caras eram exilados geopolíticos), o grupo certamente soa mais normal hoje do que em sua época.





Concluindo:
Sabe aquelas coisas que você faz quando não tem ninguém te vendo ou te ouvindo? Então, o disco dos Monks é mais ou menos isso. E é justamente por isso que é tão legal. Talvez se a banda tivesse gravado esse disco nos Estados Unidos, algum produtor fosse interferir tanto nas músicas que a sonoridade da banda ia ficar totalmente diferente. Não ia ter esse jeitão cru, as letras meio nonsense provavelmente seriam mutiladas ou modificadas e a liberdade de experimentação dos caras iria pro saco, com certeza. O som deles lembra um pouquinho o de outra banda de garagem sobre a qual já falei aqui no blog, os Sonics, um pouquinho mais lento, talvez. Não sei se chega a ser "os primórdios do punk", mas acho que está no caminho pra isso. Com certeza é diferente de tudo que vinha sendo feito na época, justamente pela liberdade criativa da banda, que, infelizmente, não foi reconhecida no seu tempo.



Faltam 456 dias.
Faltam 936 discos.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Blonde on Blonde | Bob Dylan (1966)



(Não, a foto acima não está assim porque eu achei uma imagem ruim no Google. A capa do disco é assim fora de foco mesmo)

Bom, vou contar pra vocês como foi a primeira vez que eu ouvi falar de Blonde On Blonde:




Siiiiim! Foi por causa de um dos meus all-time-favorite-movies que eu descobri que existia um disco do Bob Dylan chamado Blonde On Blonde e que - pelo jeito que o Barry (Jack Black) fala dele - ele tem uma grande importância na história da música.

Pois bem. Ontem ouvi Blonde On Blonde pela primeira vez. E qual não foi minha surpresa ao descobrir que eu já tinha ouvido a primeira faixa do disco antes mesmo de sequer saber quem era Bob Dylan (eu tinha uns 11 anos, estava começando a aprender que Xuxa não era música. Dá um desconto, vai?). A música é "Rainy Day Woman #12 & 35", que faz parte do álbum duplo da trilha sonora do filme Forrest Gump. Foi a primeira música do Dylan que eu ouvi na vida.

Bem, reminiscências à parte, vamos ao que interessa.

Blonde On Blonde é o primeiro álbum duplo da história do rock'n'roll, e o sétimo de estúdio de Bob Dylan. Completa a trilogia de discos de rock que Dylan lançou entre 1965 e 1966 (os outros dois são Bringing It All Back Home e Highway 61 Revisited) e marca uma época em que ele consegue fortificar seu estilo de letras surreais, com uma pegada blues mais forte.

O disco foi gravado quase que completamente em Nashville, após algumas sessões em Nova York que não renderam o que Dylan esperava. Em 1966, Nashville ainda era uma cidade de compositores, bem old school, naquele velho estilo Tin Pan Alley, onde as pessoas escreviam músicas para que outros gravassem. Acontece que os músicos da cidade eram tão talentosos que davam a Dylan a possibilidade de alcançar sons e ideias que só existiam em sua cabeça. Assim, ele os desafiou a segui-lo, sem se importar com o caminho. O resultado é o disco que, segundo o próprio Dylan, mais se aproxima do som que ele ouvia quando imaginava as músicas que compunha. Além disso, Nashville deixou de ser apenas uma cidade de compositores e passou a ser o destino de músicos que gravavam seu próprio material, como Leonard Cohen e Neil Young, entre outros. Por conta disso, Blonde On Blonde ficou conhecido como "o disco que mudou Nashville".

Blonde On Blonde é considerado até hoje, 45 anos depois de seu lançamento, um dos discos mais influentes da história da música, e ocupa a nona posição na lista dos 500 Melhores Discos de Todos os Tempos da revista Rolling Stone.


O livro diz que:
O blues selvagem de Blonde On Blonde dá ao disco um tom de conversa de fim de noite, reflexão e desespero. O rock'n'roll pulsante de faixas como "I Want You" se transforma, de repente, em tristes baladas como "Visions Of Johanna", ou na tocante melancolia de "Just Like A Woman", enquanto a música que encerra o disco, "Sad Eyed Lady Of The Lowlands", é um manifesto dos sem-amor.




Concluindo
Olha... Eu comecei a preparar este post ontem. Estou ouvindo o disco pela segunda vez enquanto escrevo, e ainda não me sinto pronta pra escrever sobre ele. Os Beatles e o Dylan fazem isso comigo. Aconteceu com Pet Sounds também. Rola um bloqueio, não sei. Mas eu tenho que escrever, então, vamos lá.

Em Blonde On Blonde, Dylan está mais rock'n'roll que nos dois discos anteriores, e isso fica nítido em "I Want You", "Obviously  5 Believers" e "Stuck Inside Of Mobile With The Memphis Blues Again". Mesmo nas baladas "Visions of Johanna" e "Just Like a Woman" (clássicão!!!!), ele não deixa o rock de lado. O folk volta em "Sad Eyed Lady Of The Lowlands", que fecha o disco primorosamente. Além disso tudo, Dylan ainda mostra sua faceta bluesman - que ainda não havia aparecido, pelo menos não nos discos que tive que ouvir pro blog - nas sensacionais "Pledging My Time" e "Leopard-Skin Pill-Box Hat". Ou seja: o cara mantém suas raízes folk, evolui no rock, manda ver no blues, faz baladas lindas, lança o primeiro disco duplo da história do rock'n'roll e ainda muda a cena musical de uma cidade. Alguém aí ainda duvida do quanto o Bob Dylan é - com o perdão da palavra, mas definitivamente não há outra - foda?

A cada disco do Dylan que eu ouço, eu passo a entender mais um pouquinho porque ele tem tanta importância na história da música, porque tanta gente é influenciada por ele até hoje. Já falei isso antes, mas é impressionante como ele consegue se superar a cada álbum. Este é o 64° disco que estou ouvindo, e dentre todos que ouvi até agora, acho que só os Beatles tem essa mesma capacidade de evoluir muito a cada álbum. Não é que a cada novo lançamento ele se reinvente totalmente, mas a maneira como ele se apropria de outros elementos e ritmos e incorpora ao folk - que é de onde ele veio, afinal - é realmente admirável. 

Blonde On Blonde é uma joia. É um daqueles discos pra ouvir e degustar cada acorde, cada verso. E ouvir de novo, e de novo, e de novo... Como todos os outros discos do Dylan que ouvi desde que este desafio começou. Quanto mais ouço Bob Dylan, mais fã do cara eu fico. Fato.





Faltam 459 dias.
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quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Fifth Dimension | The Byrds (1966)



Fifth Dimension é o terceiro disco de estúdio dos Byrds, lançado depois que Gene Clark, o principal compositor do grupo, deixou a banda. Os guitarristas Jim McGuinn e David Crosby tiveram que se virar nos 30 pra compensar a falta de Clark, o que resultou em um álbum com apenas 4 covers (num total de 10 faixas) e 1 música instrumental.

Na época do lançamento, Fifth Dimension foi considerado o disco mais experimental da banda até então. Ainda hoje, muita gente o considera um dos mais influentes na origem do rock psicodélico.


O livro diz que:
Em algumas faixas, o LP flerta com as raízes folk e - o que não era sua característica - R&B do grupo. Isso contribui para tornar o álbum desigual, é verdade, o que é uma pena. Mas, afinal, os Byrds estavam navegando no rock'n'roll, folk, jazz, raga-rock e country - e seus melhores anos ainda estavam por vir.





Concluindo
Lembra daquele conceito de unidade que surgiu com o Rubber Soul, e que aparece também em Pet Sounds? Então, em Fifth Dimension ele simplesmente não existe. O disco parece uma coisa meio sem pé nem cabeça, em que uma música não tem nada a ver com a outra, nada se encaixa, nada faz sentido. Tem uns solos de guitarra com um pézinho no jazz que são interessantes, algumas músicas com um fundinho meio Ravi Shankar que soa legal, mas é só. Não mudou minha vida, não é um disco que eu vou ouvir de novo, muitas e muitas vezes. Juro que não é nada pessoal contra os Byrds, afinal, já tive que ouvir coisa muito pior desde que o desafio dos 1001 discos começou, e eu acho o som deles até razoável. Mas, de verdade, na minha lista de 1001 discos para ouvir antes de morrer, acho que Fifth Dimension não entraria, não.



Faltam 460 dias.
Faltam 938 discos.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Fred Neil | Fred Neil (1966)



Fred Neil é um dos pioneiros do folk rock. Durante sua breve carreira, não obteve muito sucesso comercial e ficou mais famoso pelas gravações que outras pessoas fizeram de suas músicas. A mais conhecida delas é "Everybody's Talkin'", na interpretação de Harry Nilson, que virou hit depois de fazer parte da trilha sonora do filme Perdidos Na Noite (Midnight Cowboy, de 1969). Fred Neil é seu segundo disco, é considerado seu melhor trabalho.


O livro diz que:
Este disco, essencial para cantores e compositores, não tem desperdício. Isto posto, pode-se destacar dois momentos máximos. Um clássico pouco valorizado, "Everybody's Talkin'", tornou-se um sucesso mundial na voz de Harry Nilson, que fez uma versão mais acelerada para o filme Perdidos Na Noite. "The Dolphins" contém uma melodia insinuante e obscura, enquanto a letra combina filosofia e ecologia. A música foi várias vezes interpretada por Tim Buckley e o autor doou os royalties para organizações em defesa dos golfinhos.




Concluindo
Tá, eu gostei do som do Fred Neil. Mas não achei nada assim "Ooooohhhhh! Mudou minha vida", entende? Os arranjos são legais, as letras são bacanas, a voz dele é muito boa, mas já ouvi coisas melhores. Já ouvi coisas piores também. Então, digamos que Fred Neil é um disco, assim, médio.

O que achei mais interessante no disco todo foi o uso do bozouki (aquele bandolim grego) em algumas músicas, principalmente na última faixa, a psicodélica  "Cynicrustpetefredjohn Raga", sem dúvida a melhor do disco.



Faltam 461 dias.
Faltam 939 discos.

Pet Sounds | The Beach Boys



Sim, estou atrasada com os 1001 discos. Sim, tenho andado meio displicente com o blog. Isso é péssimo, eu sei. Fora o fato de ter que correr e ouvir mais discos por dia do que eu havia planejado, o número de acessos no blog caiu consideravelmente. O que acontece é que nos últimos dias recebi notícias não muito boas. E, além disso, estou no meu inferno astral. Aí, desanimei mesmo. Mas agora tudo já está voltando ao normal, e os posts diários vão voltar (assim eu espero!).

********************

Pet Sounds é o 11° (!!) disco de estúdio dos Beach Boys. Mais que um dos 1001 Discos Para Ouvir Antes De Morrer, é considerado um dos álbuns mais importantes e mais influentes da música, e ocupa a segunda posição na lista dos 500 melhores discos de todos os tempos da revista Rolling Stone.

O disco foi criado vários meses depois de Brian Wilson ter parado de excursionar com a banda, a fim de concentrar sua atenção nas composições e gravações das músicas. O grande catalisador deste processo foi a versão norte-americana do álbum Rubber Soul, dos Beatles (sobre o qual já falei aqui), que foi lançado em dezembro de 1965. Tempos mais tarde, Wilson falou de suas primeiras impressões sobre o disco dos ingleses:

          "Eu realmente não estava completamente pronto para a unidade. Parecia que todas [as músicas] eram juntas. Rubber Soul era uma coleção de canções que de alguma forma eram unidas como nenhum álbum já feito antes, e fiquei muito impressionado. Eu disse 'É isso. Eu realmente sou desafiado a fazer um grande álbum'".


O livro diz que:
Desde a abertura, com a surpreendente "Wouldn't It Be Nice" - um desabafo cheio de sentimento, escorado por camadas de metais, percussão e campainhas de bicicleta - , Pet Sounds transcende o pop. O talento de Wilson para compor tanto músicas como letras brilha em todas as canções, de "I Just Wasn't Made For These Times" até "Caroline, No", sua faixa favorita.





Concluindo
Guitarras, teclados, bateria, baixo, acompanhados de flautas, órgãos, cítara, campainhas de bicicleta, cravo e harmonias vocais bem elaboradas. Parece loucura escrevendo assim. Mas em Pet Sounds todos estes elementos juntos fazem muito sentido. Os elementos que pareciam soltos e sem sentido em The Beach Boys Today! aqui se encaixam perfeitamente. 

Gosto muito, muito de "Wouldn't It Be Nice", em que Wilson usa elementos infantis (como as tais campainhas de bicicleta, por exemplo) pra criar um universo quase infantil ou adolescente (e que criança ou adolescente nunca quis ser "gente grande"?). A instrumental "Let's Go Away For A While" é quase um convite pra se desligar do mundo e viajar. "Caroline, No" - a favorita de Brian Wilson - é muito boa, mas, pra mim, a melhor de todas do disco é "God Only Knows", uma das declarações de amor mais lindas da história da música.

Enfim, se tivesse que classificar Pet Sounds em uma categoria, esta seria, sem dúvida, obra de arte. É isto que o disco dos Beach Boys é.







Faltam 461 dias.
Faltam 940 discos.

sábado, 19 de novembro de 2011

Revolver | The Beatles (1966)



E lá vou eu falar dos Beatles de novo... Tarefa nada fácil, mas muito prazerosa.

Revolver é o sétimo disco de estúdio dos Beatles, e é considerado ainda mais inovador que Rubber Soul, pois marca a adesão da banda ao então emergente rock psicodélico. Há suposições de que algumas músicas tenham sido escritas durante o uso de drogas - há quem diga que algumas letras façam menção ao LSD. O disco passeia pela música oriental, erudita e psicodélica, e até hoje é considerado uma das maiores realizações da música e um dos mais importantes álbuns da história do rock.


O livro diz que:
Revolucionário para a época - "Estou cansado de fazer coisas que as pessoas podem dizer que já ouviram antes", declarou McCartney - Revolver repercutiu por décadas. O Earth, Wind and Fire levou o apoio do baixo de "Got To Get You Into My Life" à era disco. O The Jam copiou os riffs de "Taxman" em "Start!", um sucesso da banda britânica. E os Chemical Brothers basearam sua carreira em "Tomorrow Never Knows".


Fotos feitas durante as sessões de 
gravação de Revolver


Concluindo
Impressionante como cada disco dos Beatles consegue ser melhor que o anterior! Revolver consegue ser ainda melhor que Rubber Soul. Há uma série de elementos novos: riffs de guitarra tocados ao contrário em "I'm Only Sleeping", cítara em "Love You To", o arranjo erudito de "Eleanor Rigby", o psicodelismo sensacional de "Tomorrow Never Knows". Os temas das músicas também começam a fugir do convencional:  enquanto "Taxman" critica o sistema de impostos da Inglaterra, "Yellow Submarine" é uma canção, de certa forma, infantil. 

Como diz o primeiro verso de "Tomorrow Never Knows", "Turn off your mind, relax and float down stream...", o negócio aqui é relaxar e se deixar levar pelas 14 faixas brilhantes de Revolver, sem dúvida um dos melhores discos que já ouvi até aqui!


Faltam 464 dias.
Faltam 941 discos



(Cheguei ao disco de n°60! Yay!)

My Generation | The Who (1965)



Enfim chegamos ao The Who, uma das bandas mais importantes da história do rock! Formada em 1964 por Pete Townshend, John Entwistle, Keith Moon e Roger Daltrey, a banda ficou famosa por suas performances enérgicas e dinâmicas, que muitas vezes terminavam com instrumentos sendo quebrados no palco. 

My Generation foi lançado logo depois que alguns singles do The Who entraram nas listas de músicas mais tocadas. Tempos depois, a banda diria que o álbum foi feito às pressas e não se parecia em nada com suas performances nos palcos. Ainda assim, My Generation é aclamado até hoje como um dos melhores e mais importantes discos da história do rock.


O livro diz que:
Eles contrataram o produtor dos Kinks, Shel Talmy (para quem Townshend adaptou "I Can't Explain", que, com seus acordes cortantes, lembrava os primeiros sucessos dos Kinks), e gravaram um punhado de canções de ótima qualidade. Os destaques óbvios são "My Generation", na qual Daltrey simula um viciado em drogas balbuciando frases como a conhecidíssima e sucinta "Hope I die before I get old"; "I Don't Mind", com suas sofisticadas harmonias vocais e riffs de guitarra que estavam além de seu tempo; e "The Kids Are Alright", quase o hino de uma geração, na qual Townshend ressalta (não pela última vez) as dificuldades da juventude.





Concluindo
O negócio é o seguinte: ser jovenzinho nos anos 60 não devia ser nada fácil. Mas até então não parecia nada demais. Ate que uns caras resolveram botar a boca no mundo e aumentar as distorções e os volumes das guitarras e transformar em música aquilo que os incomodava. E assim surge um dos melhores discos da história do rock.

My Generation é um daqueles álbuns clássicos, que todo mundo deve ouvir antes de morrer mesmo. Não apenas por causa da música "My Generation", que permanece tão atual. Mas porque os caras do The Who são bons. São muito bons. Flertam com o R&B em "I Don't Mind" - um puta cover de James Brown, com guitarras pesadas transformando soul em rock - e em "Please, Please, Please". E se "My Generation" - música mais conhecida do disco, e creio que da banda também - é mais crua, mais selvagem (olha os primórdios do punk rock aí, meu povo!), "The Kids Are Alright", com suas melodias vocais, é mais sofisticada. 

O destaque pra mim fica por conta da instrumental "The Ox". Bateria forte, guitarras pesadas e um pianinho meio "psicodélico", digamos, pra acompanhar. A música é incrível! Dá vontade de sair quebrando tudo como os caras faziam!! Pauleira sensacional!!





Faltam 464 dias.
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sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Highway 61 Revisited | Bob Dylan (1965)



Bob Dylan de novo!! Eba!!

Highway 61 Revisited é o sexto disco de estúdio de Dylan, e o primeiro a ser gravado quase que integralmente com uma banda de rock (somente a faixa "Desolation Row" não foi gravada com a banda de apoio). Com takes duros e raivosos, muitos consideram esse disco como um marco da fase "jovem raivoso" de Dylan. 

O fato é que a habilidade de combinar um complexo rock baseado no blues com poesias poderosas faz de Highway 61 Revisited um dos mais influentes discos já gravados. Aparece na quarta posição na lista dos "500 Melhores Discos De Todos Os Tempos", da revista Rolling Stone. A faixa de abertura, o clássico Like A Rolling Stone, é considerada pela mesma revista como a melhor música de todos os tempos.


O livro diz que:
Ao se transformar de um cantor acústico de folk em um roqueiro empunhando uma guitarra elétrica, um processo iniciado no lado A de Bringing It All Back Home, de 1965, Dylan reescreveu o manual da música pop. Uma canção como "Like A Rolling Stone", um hino banhado pelo órgão, não precisava seguir o padrão de três minutos de duração (apenas duas das nove faixas do álbum tem menos de quatro minutos; a vigorosa música final, "Desolation Row", ultrapassa 11 minutos).





Concluindo
Este é o terceiro disco de Bob Dylan que escuto desde que comecei o desafio. É impressionante como um é melhor que o outro! O cara vai se superando, evoluindo a cada álbum. Gênio!

Highway 61 Revisited é, sem a menor dúvida, um must listen to. Mesmo. Bem, o disco começa com "Like A Rolling Stone", uma daquelas músicas que mesmo quem não curte muito rock conhece e canta junto quando Dylan diz "How does it feel/ To be on your own/ With no direction home/ Like a complete unknown/ Like a rolling stone?". E se você é uma das pessoas que vivem nesse mundão de Deus e nunca ouviu "Like A Rolling Stone", shame on you!

Mas o disco não se resume só a essa música. Dylan manda muito bem no blues "It Takes A Lot To Laugh, It Takes A Train To Cry". "Highway 61 Revisited" é um petardo de pouco mais de 3 minutos sobre a auto-estrada homônima. E em "Desolation Row", Dylan volta às raízes e nos brinda com 11 minutos do bom e velho folk no esquema voz-violão-gaitinha.

Bob Dylan é fo-da! Sem mais.





Faltam 465 dias.
Faltam 943 discos.

Mr. Tambourine Man | The Byrds (1965)




Banda formada em 1964 nos Estados Unidos, The Byrds é considerado um dos mais influentes grupos de rock dos anos 60. Foram os pioneiros do folk rock, mesclando a influência dos Beatles e outras bandas da chamada "invasão britânica" com a música folk tradicional e contemporânea. No decorrer da década de 60, a banda também foi importante no surgimento do rock psicodélico e do country rock. A mistura de vocais harmônicos e a Rickenbacker de 12 cordas de Jim (que depois mudou de nome para Roger) McGuinn influenciam músicos até hoje.

Em janeiro de 65, a banda entrou em estúdio para gravar uma versão de "Mr. Tambourine Man", de Bob Dylan. A música foi lançada como single em abril do mesmo ano, e cerca de 3 meses depois já havia chegado ao topo da parada Billboard. O disco homônimo foi lançado em junho, e chegou à sexta posição na lista dos discos mais vendidos.


O livro diz que:
O LP Mr. Tambourine Man ampliou o escopo do single, trazendo outras três versões calibradas de músicas de Dylan, entre elas o hit "All I Really Want To Do". O álbum também revelou o talento do compositor Gene Clark. Ele contribuiu com a canção que contém a essência dos Byrds, "I'll Feel A Whole Lot Better" (mais tarde gravada por Tom Petty), e escreveu ou colaborou em mais quatro faixas, incluindo as odes ternas ao amor de "You Won't Have To Cry" e "Here Without You". Os Byrds homenagearam suas raízes folk com a sublime "The Bells Of Rhymney", que inspirou diretamente os Beatles em "If I Needed Someone". Em agradecimento a Jackie De Shannon, patronesse do grupo, eles gravaram "Don't Doubt Yourself, Babe", escrita por ela, acrescentando uma batida à la Bo Diddley. Também fizeram uma releitura do hino da Segunda Guerra Mundial "We'll Meet Again", de Vera Lynn, da trilha sonora do filme Dr. Fantástico, um sucesso da banda em seus primeiros shows ao vivo.






Concluindo
The Beatles + Bob Dylan = The Byrds. Mas nem de longe tão bom quanto qualquer um dos dois.

Não que o disco seja ruim. É assim... legalzinho, vai. Achei as músicas todas muito parecidas. Não sei se sou eu que não estou em um dia bom (descobriremos em breve: ainda tem Bob Dylan e The Who pra hoje!), mas sinceramente não achei nada demais neste disco. Mesmo a tão falada versão de "Mr. Tambourine Man" não me pareceu nada demais. Ainda prefiro a original do Bob Dylan mesmo. Acho que esse disco entra na lista dos 1001 para ouvir antes de morrer pelo simples fato de inaugurar um estilo musical. E só.


Faltam 465 dias.
Faltam 944 discos.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Bert Jansch | Bert Jansch (1965)



Bert who?!?

O escocês Bert Jansch foi um lendário compositor e guitarrista, largamente conhecido como um dos músicos mais influentes de todos os tempos. Começou a executar sua síntese única de folk, blues e jazz na primeira metade dos anos 60, quando foi de carona de Edimburgo até Londres. Seu primeiro disco, Bert Jansch, foi gravado com um violão emprestado e um equipamento de gravação portátil em um apartamento em Camdem Town. A Transatlantic Records comprou o álbum por 100 libras. Quando foi lançado, vendeu 150.000 cópias, e Jansch causou grande impacto com sua técnica de violão inovadora e suas canções poderosas. Até hoje é citado por músicos como Jimmy Page, Neil Young, Noel Gallagher e Devendra Banhart, entre outros.


O livro diz que:
As músicas, marcadas por uma guitarra fluida e supreendentemente bem tocada, trazem o selo da forte personalidade de Jansch - da abertura leve com "Strolling Down The Highway" à pungente "Needle Of Death", sobre um amigo que morreu de overdose de heroína; da reflexiva e arrepiante "Running From Home" à aula de guitarra de "Angie", composta por Davy Graham e, mais tarde, gravada por Simon e Garfunkel.






Concluindo
O que eu acho mais bacana nos artistas folk é o seguinte: eles definitivamente não precisam de muito pra fazer boa música. O primeiro disco da Joan Baez foi gravado em cima de um tapete velho no salão de um hotel; Bert Jansch gravou seu disco de estreia com um violão emprestado e um gravador portátil. Bert Jansch é fodástico de bom  (mals aê, mas não consegui pensar em outra palavra!). Ele é um grande letrista, mas o que me chamou atenção mesmo foi o tanto que o cara toca bem. Muito melhor que Dylan, que Baez, que Jack Elliot... É simplesmente impossível não se apaixonar pelo som de Jansch!


Faltam 466 dias.
Faltam 945 discos.

Rubber Soul | The Beatles (1965)



Quase uma semana sem postar, sem ouvir nenhum disquinho novo sequer... Confesso que senti falta. Peço desculpas pela falta de posts neste período. O que aconteceu foi que os últimos dias foram bem atribulados (de uma maneira muito boa) e sobrou pouco tempo pra ouvir os discos com atenção e escrever sobre eles com calma. Entre fazer a coisa de qualquer jeito ou atrasar um pouco e ter que correr atrás do prejuízo depois, fiquei com a segunda opção.

Bom, agora vamos ao que interessa, né?

Rubber Soul é o sexto álbum de estúdio dos Beatles. Produzido por George Martin e gravado em aproximadamente 4 semanas, foi lançado próximo ao Natal de 1965. Diferente dos discos anteriores da banda, Rubber Soul foi gravado em um período específico, de uma vez só, sem sessões espremidas entre datas de shows ou filmagens. O resultado disso foi o sucesso de público e crítica que o álbum obteve, com muitos críticos apontando a evolução musical do grupo.

A versão norte-americana do disco influenciou fortemente Brian Wilson, dos Beach Boys. Wilson acreditava que pela primeira vez na música pop o foco não era mais fazer apenas singles populares, mas sim um disco de verdade, sem aquelas faixas que serviam apenas para fazer volume. A resposta dos Beach Boys para Rubber Soul foi Pet Sounds, disco sobre o qual vou falar um pouco mais pra frente.


O livro diz que:
Musicalmente, Rubber Soul é um passo à frente. Os elementos-chave do disco incluem a cítara e, em "Think For Yourself", o baixo distorcido - como "The Word", é um rock sem data de validade.





Concluindo
É nítida a evolução musical dos Beatles em Rubber Soul. O disco é mais eclético, mais sofisticado. Fiquei com a impressão de que foi algo muito mais pensado, trabalhado com mais cuidado, do que os discos anteriores. Já não são mais aqueles quatro rapazes de terninho cantando músicas sobre garotas e amor. Em "Norwegian Wood", a letra surrealista vem acompanhada de uma cítara, algo que - acredito - nunca havia aparecido no rock até então. "In My Life" (uma das minhas músicas favoritas ever) e "Michelle" são cheias de lirismo, e a solidão pungente de "Nowhere Man"  rompe com os temas tão comuns à música pop até então.


Faltam 466 dias.
Faltam 946 discos.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Live At The Regal | B. B. King (1965)



Blues Boy King (é isso que quer dizer o B. B., então!!), também conhecido como "Rei do Blues", é um dos maiores guitarristas da história da música. Seu estilo foi inspirador para muitos guitarristas, entre eles, Jimi Hendrix, Eric Clapton, George Harrison e Jeff Beck.

Live At The Regal é o registro da apresentação de King e sua banda no clube Regal, em Chicago, em novembro de 64. Embora tenha sido um sucesso de crítica e esteja presente em praticamente todas as listas de "discos para ouvir antes de morrer", B. B. King não considera este um de seus melhores trabalhos.


O livro diz que:
As versões incandescentes de "It's My Own Fault", "How Blue Can You Get" e "You Upset Me Baby", acentuadas pelas carícias no pescoço de Lucille, se tornariam a viga mestra do blues ao vivo e ajudariam a coroar King como o maior guitarrista do gênero na história.





Concluindo
Em Live At The Regal fica claro que mais que um grande cantor e guitarrista, B. B. King é um entertainer nato. Com sua guitarra Lucille carregada de feeling e sua voz carregada de emoção, King leva o público do Regal ao delírio. Não é pra menos: além de um grande músico, ele sabe como conduzir a audiência, conversando com ela, provocando gargalhadas e, claro, brindando quem está lá - e quem está em casa ouvindo o disco mesmo 47 anos depois - com o melhor do blues.

King exala sensualidade em várias faixas do disco, principalmente em "Sweet Little Angel". Em "Worry, Worry", acaricia sua Lucille de forma que é impossível não entender porque ele é um dos maiores guitarristas da história. Live At The Regal é um daqueles discos que te fazem lembrar - ou entender - porque o blues é tão bom e tão gostoso de ouvir.


Faltam 472 dias.
Faltam 947 discos.

A Love Supreme | John Coltrane (1965)



Já falei de John Coltrane aqui antes, mas sempre como coadjuvante. Agora ele é o artista principal. Saxofonista e compositor, foi um dos pioneiros do free jazz. Organizou ao menos 50 gravações como líder durante sua carreira, além de participar de muitos outros álbuns, principalmente com Miles Davis e Thelonious Monk. Coltrane influenciou muitos músicos, e permanece até hoje como um dos maiores saxofonistas da história da música.

A Love Supreme tem a intenção de ser um álbum espiritual. Coltrane lutava contra o vício em drogas, e o disco representa, de uma certa forma, sua luta pessoal por pureza. É também uma expressão da imensa gratidão do artista, que considera seu talento e seu instrumento como sendo de propriedade não dele, mas sim de uma força espiritual maior.


O livro diz que:
A Love Supreme consegue o raro feito de não fazer qualquer concessão e, ainda assim, ser totalmente acessível. A insistente linha de quatro notas do baixo de Garrison que inicia "Acknolowdgement" ("a LOVE su-PREME") funciona como leitmotif, constantemente reafirmado, explorado e mutilado tanto pelo sax tenor como pelos mágicos vocais. "Resolution" leva a um Coltrane mais familiar, complementado pela bateria de Jones (que soa como se fosse um solo, sem perder sua batida sólida), enquanto a coda do álbum, "Psalm", é uma oração instrumental.




Concluindo
Eu não acho que A Love Supreme seja algo assim de outro mundo como muitos dizem, inclusive o livro. O que não quer dizer que não seja muito bom. Afinal, estamos falando de John Coltrane. O que achei mais interessante neste disco é a maneira como ele faz de "Acknowledgement" um longo mantra, e como em "Psalm" recita um poema com seu saxofone (lembrando que a música - embora não tenha vocais -  foi feita em cima de um poema que Coltrane escreveu e que está no encarte do disco). 


Faltam 472 dias.
Faltam 948 discos.